Leoa

Ela se perdeu em um único vão momento
Uma rachadura de tempo onde seu peito quis somente respirar desarmado
E justo nesse segundo simples e puro, de guardas abertas ao vento
Luziu em seu rosto o que dizem ser o mais fino ouro
E como não poderia ser diferente: encanto
E como todas que adentram aquele templo: desejo

Não se pode culpá-la
Não se pode negá-lo
O reflexo dourado resplandecente
Ofusca os olhos de qualquer que seja
De qualquer que esteja
De qualquer aventureiro abalado
De qualquer musa de coração enferrujado

Porém nem toda luz é própria
Nem todo ouro reluz
Mas para quem fechou seu mundo
E depois quebraram as portas
Se perde no sentimento
Gasto pelo demora

E mesmo que algum cavaleiro
De terras sinceras e honrosas
Vestido todo de branco
Lhe traga vermelhas flores
Lhe salve de malfeitores
E a convide para um galope
Não lhe conquista amores

3 comentários:

Daisy-se disse...

"Uma rachadura de tempo onde seu peito quis somente respirar desarmado"

Pois bem, interrompido o tempo surgem os olhares, finca-se o desejo, o sentimento...
E todo cavaleiro causa-lhe medo, ainda que com flores, porque estas, também murcham... Ficam as lembranças, se há memória...

Artur Finizola disse...

mas não se esqueça, ao menos os cavaleiros vindos de terras sinceras e honrosas... ao menos estes, são dignos de serem perdoados por seus quase poucos defeitos...

mas não é isso que a leoa quer, ela não quer devorar, prefere ser devorada... ela quer O príncipe, não precisa ser encantado... mas o artigo precisa ser maiúsculo... O... aquele e somente só.

E a humanidade se perde...

Fernand's disse...

a gente só respira desarmado quando consegue entender...


bjs meus

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vesteme.blogspot.com - escritos de 2006...


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